7 de novembro de 2009

TUA MÃO

Já precisei de tua mão quando tinha medo, quando tinha sede de ti.
Precisei de tua mão para dormir tranqüila, para caminhar sem tropeçar nas pedras.
Entre minha mão e a tua havia o calor, o suor, o amor.
Agora caminho sozinha, durmo sem medo, tropeço em mim mesma e me seguro no meu próprio abraço.
Ficaste com meus medos.
Que eles te façam companhia nas noites de silêncio e solidão.
Eu não sou uma pessoa triste, por isso vivo como se nada eu tivesse perdido.
Apenas ganhei a certeza de mim mesma.

(Maria Alice Guimarães)

6 de novembro de 2009

AMIGA

Eu sou minha amiga , sim. Converso comigo em voz alta, me dou carinhos de cama, com travesseiros fofos e cobertas macias de algodão doce. Abrigo-me nas noites frias, curo minhas dores com os remédios que guardo na gaveta. Sou minha amiga, sim. Dou-me conselhos, me olho no espelho e me vejo de cabelos cuidados e batom vermelho.

(Maria Alice Guimarães)

3 de novembro de 2009

VIDA E POESIA

"A vida pode ser poesia e a poesia sopra onde quer. Sentir a sensação da vida leva-nos a conseguir o que se deseja e a felicidade é querer e ter apreço por tudo que se conseguiu, mesmo que seja aparentemente pouco. Sempre se pode fazer um novo começo. Felicidade não é o que as pessoas têm, mas o que elas fazem com o que tem. A vida é uma sequência de dias vazios, como se fossem folhas de papel em branco. Cabe a nós escrever nossa história, preencher essas páginas com nossos sonhos e com nossas verdades, com aquilo que acreditamos ser o melhor. Angústias e medos só fazem mal. São crueldades que não devem ser alimentadas. A alegria é colorida, contagiante e benévola. Voluptuosa também, portanto irresistível. O melhor momento da nossa vida é o que estamos vivendo."

Maria Alice Guimarães

23 de outubro de 2009

VIDA

Eu não quero morrer sem ter vivido o dia, nem quero morrer antes de saborear a vida.
Eu não quero me acostumar com o frio do inverno; quero sentir o sol e molhar meus pés na água do mar.
Eu não quero minhas janelas fechadas. Quero a amplidão...
Não quero o sobressalto da hora, do atraso, do medo; quero a liberdade de gritar no vento.
Eu não quero me acostumar a poupar a vida; quero gastá-la todinha.
Ela foi dada a mim e não posso deixá-la de herança para ninguém.

Maria Alice Guimarães

21 de outubro de 2009

A LÍNGUA PORTUGUESA

Ela não é fácil nem maleável. Não possui nenhuma sutileza, a não ser a do pensamento de quem usa e abusa de suas palavras na tradução dos pensamentos de amor e ódio, de rimas mal feitas em versos e inversos. É um desafio a quem escreve. É como montar um cavalo que não foi domado. Tenho tentado em vão parar seu fogoso galope. Nossa língua não fica pronta nunca; é um constante vir a ser, uma mutante bela e despudorada, que se veste e se despe como virgem límpida e pura.

SOLIDÃO

O que tenho pra te oferecer é minha solidão. Ela é tudo que sobrou de mim,.
É o que te posso dar . Tenho demais, posso repartir. Fica com ela por tua companheira. Nela encontrarás o amor que te dará alento nas tuas noites de saudade.
É o meu legado. Fica com ela.

CORAGEM

Quero ficar sem nada, mas quero que Deus me dê coragem para viver sem a tua presença.
Que eu possa penetrar nesse vazio com a plenitude amorosa da minha alma ofendida.
Peço coragem para me enfrentar sem medo de mim mesma
Que eu nunca precise me procurar , que eu esteja sempre ao alcance da minha busca.